18 Fevereiro 2010

pausa para o café

Nesta vertigem luminosa de conhecimento
empacotado, ao fundo dois ou três
homens apagam lâmpadas. Alguém aumenta
o volume e as vozes acendem-se, no escuro,
gritando palavras numa língua morta;

e duas mulheres despidas escrevem com as
unhas todas estas coisas, numa placa de cera
ainda morna. Cinquenta cêntimos,
pede-me uma mulher de branco. A mão no
bolso das calças, "só tenho assim",
"não faz mal", e de novo o ruído,
dois ou três homens mexendo em botões
e alavancas, é provável que tenhamos
visto demasiadas vezes o
Eraserhead.

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