22 Outubro 2009

apneia


Escutar as palavras imensos

mares de palavras dos livros

nas estantes os grandes mares

ou bibliotecas, oceanos de palavras

e sons, navegá-las, é mergulhar

em viagem ao fundo da alma.


05 Março 2009

Febril

Olhaste de noite os espelhos
e gritaste em desespero
as mortes de poetas que
não chegaste a conhecer.

O hálito da manhã seguinte secou as palavras.

Morreram de amor, disseste, ou de ódio.

Nada mais lhes restava que não
a última das primaveras febris.

21 Abril 2008

De viagem


Rasgo um sorriso de mãos abertas ao momento,
olho a estrada e o calor embate-me nos olhos.
Sinto na boca do estômago a frescura da viagem
e o aroma da alvorada devolve-me o prazer
da simplicidade dos afectos. Os precipícios dão
lugar à estrada sem fim e os ermos transformam-se
em lugares distantes onde se avistam botes que
regressam do horizonte, com homens e mulheres
carregados de esperança.

02 Fevereiro 2008

Depois do dilúvio

.
Sobrevivi. E lembro Brecht lendo Horácio.
Mas, por alguma razão, não me sinto feliz
depois do dilúvio. Sobrevivi, simplesmente.
E lembro Darwin. O mundo pertence aos mais
aptos, aos adaptados, e não aos mais justos.
Questiono-me, portanto, se não deveria
a minha justiça levar-me à morte.
.

10 Janeiro 2008

Pore No Graphics

Independentemente das descrições
dadas durante as aulas de biologia
e antes disso
nas aulas de ciências naturais
uma mulher nua será sempre mais
música mais
arte mais
literatura
do que ovários e útero e do que
folhas gastas em manuais escolares.

17 Dezembro 2007

Um mundo sem pássaros

.
Das enseadas onde permanece ainda
um sereno eflúvio de infinito, avisto as aves
que partem, envoltas numa propulsão musical.
Um acordeão cintila no firmamento e é apenas,
penso, o tempo de apogeus que hiberna.

À luz das cidades concêntricas, dir-se-á
que a partida é uma fuga sem destino, que o mundo
acorda definitivamente sem pássaros, e todas
as zonas marginais serão submersas.

Dormiremos cem mil anos [e como?],
ou somente uma vida, uma geração,
até que as aves regressem.
..

12 Novembro 2007

«Pêndulo», Paulo Tavares

Quero transmitir aos amigos, aos visitantes mais assíduos e a outros que por estas linhas se cruzem, que o «Pêndulo» está pronto! Para os que não sabem do que falo, trata-se do primeiro livro do nosso caro e muito estimado amigo, Paulo Tavares.
Ainda não temos data certa para o lançamento oficial, mas podemos dizer com segurança que alguns exemplares já andam "cá fora"... foi um parto doloroso mas valeu a pena.

Assim que houver data para poderem correr até à livraria mais próxima, anunciaremos aqui.

Parabéns, Paulo, e muito sucesso!